quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O tesouro do rei

Existia um reino com muitos vilarejos e como nos dias de hoje alguns vilarejos tinham mais dificuldades que outros mas sempre os chefes destes vilarejos diziam que seus vilarejos tinham mais dificuldades.

Cansado de tantas reclamações o rei que era sábio procurou um conselheiro e perguntou o que deveria fazer para ajudar as vilas.

Depois de muito pensar o conselheiro disse ao rei:

“Dê ao povo um terço de seu tesouro.”

“O que?”

“Sim de ao seu povo um terço do seu tesouro e depois que o fizer volte aqui.”

O rei a muito contra-gosto mandou que fosse distribuído um terço do seu tesouro para o povo e que cada um deveria receber uma parte do tesouro em moedas.

Passado um ano os chefes da vila voltaram contra o rei e começaram a reclamar que o rei era louco e que ele não deveria ter dado o tesouro para o povo mas que deveria ajudar as vilas.

Irritado o rei foi ter com conselheiro que lhe disse:

“Depois que você deu um terço do seu tesouro você voltou aqui?”

“Não”

“Agora vá e veja o que as pessoas fizeram com aquilo que você deu?”

Então o rei não teve escolha e saiu vestido como um ambulante – vendedor – indo de vila em vila vendo o que seu povo teria feito com seu tesouro.

Na primeira vila descobriu que a vila continuava igual a de anos atrás, e que cada morador fizeram o que quisera com as moedas, comprando mais coisas que poderia guardar, escravizando mais pessoas, dominando seu semelhante e expulsando antigos amigos de suas terras endividas por jogos e vícios, mulheres se prostituindo muito mais do que antigamente, homens perdendo tudo por rabos de saia, e a indiferença reinando, ninguém lhe deu abrigo, comida ou água a não ser que fosse comprada por preços altos, e o único que lhe deu abrigo foi um velho, dono de um estábulo, que lhe disse que ele deveria deixar o local pela manhã. Então ao amanhecer o rei deixou o local e seguiu para a cidade seguinte e a seguinte e a seguinte e todos os locais eram iguais, nada mudava, a não ser as coisas piores que ele via, fora até assaltado uma vez, mas os bandidos lhe deixaram as roupas, e o rei acompanhado apenas por um fiel amigo e comandante de sua guarda, implorou pela vida do amigo que tentara lhe defender.

Por fim só faltava uma vila, ao entrarem nela viram tudo do mesmo e então ele entendeu que dar o tesouro para seu povo fora uma besteira enorme.

Um carroceiro que ali passava lhes deu um bom dia e lhes ofereceu uma fruta, a mulher que comprava a fruta do carroceiro disse que não ia pagar por aquela fruta e o carroceiro disse que era para os homens, então o rei perguntou de onde vinha aquele homem e a dona do estabelecimento disse rindo que ele vinha da ultima cidade do reino, perto das montanhas e que ali ninguém se atrevia ir pois era tão longe que nem o rei mesmo sabia que ela existia.

Então o rei perguntou como era aquela cidade e eis que o homem disse que era igual aquela que ele estava. Estava decido o rei iria chamar o conselheiro e dizer que ele iria ser preso por ter gastado o tesouro do reino a toa, com pessoas tolas. Mas o seu amigo perguntou se não poderia conhecer a tal cidade.

Foram horas de viagem do lado da carroça puxada por um burro, então o rei perguntou porque o carroceiro não ia em cima da carroça como todos faziam.

“Porque deveria ir? O burro não trabalha como nós? Eu não acordo cedo par trazer as frutas para as pessoas? O burro não acorda cedo comigo para puxar a carroça, cada um faz trabalho que lhe é devido, e não seria o certo dar ao burro mais peso do que ele agüenta e nem a mim, porque se o burro ficar doente ele não poderá puxar minha carroça e se eu ficar doente não poderei vender minhas frutas, um depende do outro para viver.”

Eis que o comandante da guarda fala:

“Mas se ele ficar doente coloque outro no lugar”

“Mas é o único que confio”

O rei olhou para o amigo e ficaram em silencio.

No final do dia pararam num estábulo, o homem soltou o burro da carroça e sentaram em volta de uma fogueira, o rei tentava perguntar sobre a vila e o homem dizia mesma coisa, a vila era como qualquer uma. Dormiram e no inicio da manhã seguiram para a vila.

Depois de dois dias de viagem chegaram a uma ponte que dividia o rio, o homem soltou o burro da carroça e o primeiro a atravessar a ponte foi o burro, atentos eles viram o burro passar pela ponte e ir embora.

“Seu burro vai fugir”

O homem sentou no chão e disse:

“Sente-se e comam a noite vai ser longa”.

O rei e o comandante não entendeu nada e esperaram quase toda manhã. De longe eles ouviram um barulho de gente se aproximando, foi quando viram dois homens montados cada em um burro, atravessando a ponte.

O homem levantou e foi logo cumprimentando os irmãos.

Os homens colocaram seus burros na carroça e atravessaram a ponte e seguiram por uma estrada as vezes subindo a montanha e as vezes descendo até que chegaram numa planície e o rei pode ver um muro ao longe.

“O que é aquilo?”

“E a nossa vila”

Seguiram até a casa do vendedor de frutas, onde foram recebidos e acolhidos pela família.

“Nossa que casa linda!”

A dona da casa, mulher do vendedor disse:

“Presente do nosso rei.”

“Como assim?” perguntou o comandante.

“Nosso rei deu a cada um de seu povo uma moeda de seu tesouro...”

“Mas uma moeda não faria tudo isso sozinha” interrompeu o rei.

“Sozinha não, mas muitas sim.”

“Mas não era uma por morador?” disse o rei.

Um velho entrou na sala e disse:

“Vamos dormir amanhã teremos uma colheita grande e temos que acordar muito cedo.”

As velas foram apagadas e todos foram para cama, tanto o rei quanto o comandante que iam dormir no estábulo, foram levados para dormir na melhor cama da casa.

Quando acordou o rei procurou pelo seu amigo e foi até a dona da casa e perguntou onde esta ele, ela lhe disse que ele fora até ao campo com seu marido para colher os frutos da terra, e já fazia muito tempo que eles tinham saído. Pedindo que ela o levasse até lá, ela chamou o seu filho e disse:

“Leve o homem e a comida de seu pai”

O menino seguiu para o campo e o rei viu muitas pessoas colhendo os frutos da terra, encontrou seu comandante ajudando na colheita e perguntou porque não o acordara, e o comandante disse que o ele – o rei – deveria descansar para o retorno.

Então o rei ajudou na colheita e toda ela fora levada para um enorme deposito, onde havia mais colheitas e mais colheitas de outros lugares.

Então aquela tarde o rei foi para a vila protegida por um muro e ao entrar viu uma cidade, com uma casa de saúde, uma casa de policia onde ficava alguns soldados, uma escola, e casa do governador da vila, a ruas apesar de terra eram limpas e conservadas e no final da vila havia uma igreja.

Ficaram por semanas ali, desta vez pagando com trabalho, então o rei pedira a seu amigo e comandante que voltasse ao reino e disse que para o conselho que o rei mandara que todas vilas pagassem um tributo ao reino, um terço do que produziram por um ano e que todas vilas ficassem sabendo disto.

O comandante foi até a casa de policia, chamou o chefe da guarda da vila e lhe disse em segredo mostrando o selo real a ele e ordenou que só ele e mais um soubesse da presença mensageiro do rei ali, o mensageiro era o rei, e que se algo acontece com ele, o rei, ele seria condenado a morte, então o chefe da guarda chamou um soldado mudo e disse que deveria proteger o tal homem e que ele iria para a cidade com o amigo do mensageiro.

Dito isto, partiram para a cidade sem que ninguém soubesse.

Umas semanas depois, um mensageiro acompanhado com um soldado do rei entrava na vila com uma carta real, levando até o governador da vila, o sinos da antiga igreja foram tocados e os homens – chefes de família fora até a casa do governador saber o que estava acontecendo – todos foram encaminhados até a antiga igreja e sentaram esperando um velho frei aparecer, todos inclusive o rei, o frei entrou e leu a carta.

Alguns homens ficaram indignados e então o frei disse:

“Caso os senhores não se lembrem, Deus deu a cada um dos senhores um dom, uma vocação e todos receberam isto de graça, mas se enganam aqueles que acreditam que Deus não vai cobrar do senhores o que vocês fizeram com este dom, com esta vocação. E não é justo que o Rei não cobre dos senhores um terço do que produzem? Não justo que ele cobre dos senhores uma taxa para poder ajudar aqueles que necessite, que melhore nossas estradas, que possa ter melhores médicos? Que ele pegue um terço de cada um e faça um todos para ajudar em momentos mais difíceis?”

O ancião da vila levantou e disse:

“Quando recebemos a nossa parte, o primeiro a dizer o que deveríamos fazer com ela foi o frei, disse que sozinho íamos usar como quiséssemos e tornarmos sós e juntos seriamos unidos e construir um local melhor.”

O vendedor de frutas levantou-se e disse:

“Tenho corrido todas as vilas, e todos eles são tolos, tenho visto vilas sendo destruídas por ganância e arrogância e o tesouro do rei só os destruiu.”.

O rei levantou e disse:

“Mas quando conheci o senhor, disse-me que todas as vilas são iguais.”

Era falta muito grande um estranho falar no meio de uma reunião, ele deveria primeiro pedir licença.

O frei então disse:

“Caro vendedor de frutas, não é o tesouro que destrói as pessoas, são elas que se destroem e caro estranho, apesar de bem vindo na casa de Deus, aqui pedimos licença para falar – o rei sentou envergonhado – mas o vendedor de frutas lhe disse a verdade, todas as vilas são iguais, o que muda são as pessoas que moram nela.”

Então o governador disse:

“Amanhã pela manhã levaremos um terço de nossa colheita para o rei.”

Todos saíram e o frei foi até o estranho.

“Venha estanho, coma comigo esta manhã.”

O rei foi até uma casa humilde do frei, atrás da escola.

“É o senhor que ensina as crianças a lerem?”

“Sou eu sim, majestade.”

O rei ficou surpreso, mas o frei disse que só ele sabia e que ninguém mas saberia, explicou que ali naquela vila morava gente humilde e que eles só queriam viver em paz e conversaram por horas e o rei entendeu todos os anseios do seu povo. Então o rei pediu que o frei fosse um conselheiro seu, o frei recusou perguntando que ia comandar aquele povo, daquela vila.

Passado alguns dias a caravana da colheita estava pronta e que ia liderar aqueles burros todos era o burro do vendedor.

“Ele voltou?” perguntou o rei ao vendedor.

“Não senhor, ele nunca foi embora, mas não é justo que ele que conhece todas as estradas – que viaja por meses por elas puxando peso – trabalhe aqui também, assim quando eu estou aqui ele fica de folga por alguns dias”.

Assim que a caravana saiu, passaram pela ponte e seguiram viagem, alguns homens e umas carroças, outros homens ficaram cuidando da vila.

Depois de um dia de viagem os homens chegaram a um estábulo onde havia uma escolta de soldados do rei esperando por eles, o vendedor e os que acompanhava ficaram surpresos.

Então reconheceram o amigo do rei, o comandante.

“Então foi você que disse ao rei que tínhamos uma boa safra e ele mandou pegar o nosso trabalho, já não basta os imposto que ele cobra?”

O chefe da guarda foi até o homem para lhe calar, mas o comandante disse:

“Não, eu não disse nada ao seu rei, ele viu com os olhos dele.”

O estranho levantou-se e se mostrou e todos ficaram surpresos e disse a eles que se alguém no meio da viagem que ele era o rei, o homem seria preso.

Depois de alguns dias de viagem chegaram por fim ao reino, os homens foram levados para os melhores quartos do rei e o vendedor fora levado para o quarto real, mas o homem disse que não era de seu agrado que ver tantas coisas naquele quarto era uma humilhação e que desejava estar com seus homens, e assim o rei o fez.

O rei mandou trazer carroças novas e maiores, mandou também trazer mais burros para eles e que eles pudessem pegar as ferramentas que quisessem e o camponês que foram junto pegou o essencial para trabalhar na terra, o medico pegou o essencial para cuidar dos homens, o artesão e ferreiro o essencial para consertar as ferramentas e o vendedor pegou escritos e bíblias, e ao saírem pelo reino foram presos pela guarda real, o rei foi até eles e disse,

“Dei a vocês o direito de levar o que quisessem e me traem levando conhecimento?”

“Conhecimento?”

“Sim! Pois não estão levando uma Bíblia?”

“Prenda –me majestade, disse o vendedor se curvando.”

Reunidos por instantes, os homens perguntaram quanto era a fiança do amigo.

“Tudo isto que estão levando”

Os homens deixaram para trás tudo aquilo e seguiram viagem a pé, do lado do seu amigo.

De todas as vilas, só aquela fora que entregaram um terço aquele ano e então o rei mandara avisar todos que todo ano teriam que pagar um terço do que produzirem ao reino se não eles iam pagar uma multa ou ter suas terras ou estabelecimentos tomados.

Passado alguns anos, no mesmo dia, o vendedor estava ali com o terço de sua vila e o rei o olhava de uma janela. O conselheiro mandou que ele enviasse um mensageiro e visse com seus olhos como a vila estava indo.

Ao retornar o mensageiro disse que a via prosperava e que todos ainda o respeitavam muito e que o vendedor era um homem mais respeitado ainda e que o único que xingava o rei era o frei.

O homem mandou chamar o frei, que veio a seu encontro, ao encontrar com o conselheiro, o frei se curvou e diante do rei disse:

Agora sei por que vossa majestade é tão sabia.

O conselheiro disse aos dois o que ambos deviam fazer e então, o rei mandou todos os presentes que havia dado e tirado dos homens da vila e ao frei deu duas bíblias, uma para a igreja do frei e uma para o vendedor, e o frei deveria preparar um mosteiro para freis e missionários para que aqueles que quisesse conhecer e seguir a Palavra de Deus pudesse aprender com o frei.

Ao receber o presente, o vendedor alegrou-se novamente e agradeceu a o conselheiro que estava ao seu lado.

O engraçado que o conselheiro tentou por varias vezes entrar em varias casa, mas só naquela vila entrou em todas as casa, no dono do estábulo que o rei dormiu, no estábulo no meio do caminho e na casa do rei.

Mas só algumas pessoas podiam ver ele. E era as palavras dele que o frei dizia.

“ Como uma moeda um dom sozinho até pode levantar paredes, muros, pontes, mas um tesouro de moedas como um tesouro de dons, levanta uma nação inteira.”