Os justiceiros I
O ronco do motor do Omega, dava conta do quanto irresponsável era o condutor, ele segurava o carro na marcha nas esquinas, esticava nas retas. Era um quarta, quase oito horas da manhã.
Damião, apenas de calça com duas latas de cerveja do lado estava atrasado, olhava no relógio do espelho retrovisor e com uma das mãos segurava a manete de marcha e a outra o volante, seus pés saltavam entre a embreagem e o acelerador, ele reduzia a marcha violentamente, jogando de quarta para segunda forçando todo motor 2.4 segurar aquela barca (Omega), depois saltava a marcha entre a terceira e quarta e seguia rápido pela reta, nitidamente transtornado ele seguia pelas ruas do bairro como um louco.
Ele pisou na embreagem, jogou de quinta para segunda, soltou a embreagem e segurou o carro um pouco no freio, torceu volante e entrou à direita na Rua Aquino de Freitas, soltou o freio e pisou novamente na embreagem e começou a acelerar e trocar as marchas, havia muitos carros estacionados na rua, e o velocímetro dele atingiu a marca de 100 km/h, ele olhou para trás e sorriu, mas quando olhou para frente sentiu a pancada, a criança que deveria estar na escola, que atravessava a rua foi atingida pelo carro a 100 km/h, foi levantada pelo menos cinco metros antes de cair em cima de um carro estacionado e depois cair no chão.
Damião assustado não parou e quando atravessava outra esquina, desviou de um caminhão, pisou no freio e girou o volante e só não bateu no posto por pouco.
Vizinhos que estavam na rua e viram o rapaz atropelar irresponsavelmente o garoto correram até o carro tiraram Damião sem camisa para fora e começaram a bater nele. Damião tentava em vão voltar para o carro que tinha insulfilm, mas as pancadas na cabeça dele e no seu peito o apagaram.
As pessoas que estavam ali saíram correndo com a chegada da policia.
Quando os bombeiros chegaram Damião estava morto e o menino que ele atropelou estava em estado muito grave.
E as pessoas estavam chocadas, todas chocadas.
Um ano antes.
Damião era um homem trabalhador, honesto como qualquer outro cara, aproveitava bem as oportunidades e também era um cara esperto como aqueles que o mataram. Mas Damião era um cara seguro, juntara um bom dinheiro para comprar um novo carro.
Era um sábado e seu irmão ia levá-lo para comprar um Omega, preto, lindo e campeão das pistas, de camiseta regata e de short, Damião entrou no Palio vermelho do irmão, Tonho, e seguiram para uma revendedora de carro.
Quando entraram na loja, Tonho, levou ele até o Omega, mas Damião a conselho de sua mulher, (briga), queria um carro mais calmo, mas seu irmão insistia que aquilo era carro e no fim Damião foi vencido.
Ao chegar em casa, sua mulher, brava, não queria nem falar com ele e ele carinhosamente lhe deu um buque de rosas.
- Você acha que eu vou aceitar isso como desculpa?
Ele mostrou a chave do carro e disse:
- Vamos dar uma volta no possante.
- Não quero andar naquilo hoje. – disse ela preparando o almoço.
Damião pegou a mulher a força (carinhosamente) beijou sua nuca e disse:
- Vamos.
- Tô fazendo almoço.
- Deixa a sua irmã cuidar disso. – disse ele passando a mão na barriga dela.
Maria de dezessete anos olhou para irmã mais velha e disse:
- Não. – disse ela dando de papa para o baby de Damião. Uma menina linda de olhos claros.
Vanessa, 25 anos, mulher de Damião, virou-se para ele e disse:
- Hoje eu não ando naquilo e você vai cuidar dele sozinho.
Tonho, 40, entrou junto com sua nova namorada, 20, e disse:
- Vanessa tenho que te dar os parabéns, você colocou o cabresto no homem. – disse ele abrindo a geladeira.
Vanessa olhou para Damião e perguntou:
- Você não comprou o...
- Omega? . – disse Tonho rindo. Que comprou aquela maquina fui eu. – disse ele tomando uma cerveja.
- O que você comprou?
- Um lixo. – disse Tonho mexendo com o baby de Damião.
Vanessa pegou a chave das mãos de Damião, um metalúrgico de pouco mais de 30 anos.
Ele bateu na cabeça do irmão e saiu com a mulher até entrada da casa.
Era um Uno Mil branco, o carro que ele mais odiava, ele comprou um carro que não andava, palavras dele.
- Mas você disse que ele não anda nada. – disse ela abraçando ele.
- Eu ia comprar um carro mais caro, mas você queria fazer o quarto do baby.
Ela olhou para ele com lagrimas nos olhos, abraçou ele com força e o beijou na boca.
Correu até o carro, abriu a porta e sentou no banco do motorista.
- Então né, - disse ele com lagrimas nos olhos, - eu ia dar uma volta com o meu amor, mas ela disse que hoje não, que hoje não.
Ela olhou para ela.
- Idiota.
- Abre o porta malas. – disse ele.
Ela saiu do carro, abriu o porta malas e viu a cadeirinha de carro para o baby.
Ela abraçou ele de novo.
Maria saiu na porta e gritou:
- O feijão ta secando.
Vanessa olhou para ela com os olhos arregalados e Maria voltou para dentro.
- Precisamos comemorar. – disse ela olhando para ele.
- Claro! Mas tá todo mundo em casa.
Ela riu e bateu nele.
- Bobo. To falando de comprar um champagne.
- Só se for pra vocês, eu vou trabalhar hoje a noite. – disse ele olhando para ela.
Tonho que tava próximo disse:
- Pra mim tá bom e pra ele pode ser leite, bebezinho.
Vanessa ignorou rindo sarcasticamente.
- O tonto esqueceu como se trata uma mulher, ela quer andar com você. – disse Tonho.
- O Tonho, deixa que com ele eu me entendo.
- Você não se entende com ele, você manda nele.
Damião olhou para ele e ele voltou para dentro.
- Ajuda eu colocar a cadeirinha? – disse ele olhando para os olhos dela.
A partir daquele dia, Damião só tomava suas cervejas, quando realmente ele não saia e quando o pai de sua mulher estava disponível, assim se o baby e ou sua mulher, que também sabia dirigir, precisa-se ele estaria disponível.
Agora ele era um home de família.
Damião quando soube que ia ser pai, fez alguns cursos de primeiros socorros e de CIPA , fazia questão de estar sempre pronto para atual eventualidade. E ficava bravo cadê vez que seu irmão bebia e dirigia, ele tinha sorte, nunca era pego e nunca batia.
Até mesmo quando Damião, Vanessa, Maria, o baby e a mãe de Damião foram para praia, Damião seguiu todas normas que conhecia de segurança, dirigir atentamente, descansar bem antes da viagem, cuidar do carro. Era um motorista exemplar, só tomou uma multa porque no dia que levou o seu filho ao medico, parou em uma zona azul e sem o papel da zona azul, recebeu uma multa.
Fora isso, o carro quase sempre ficava em casa, ele e a mulher ia sempre de ônibus da firma ou urbano.
E o quarto do baby estava quase pronto.
Um dia antes do fatídico, estava um calor infernal, Damião estava trabalhando, Vanessa também e Maria cuidava do baby enquanto a irmã não chegava.
Tonho estava no trabalho e sem namorada, era quase seis horas da noite.
Naquele dia, Vanessa havia combinado com Damião que ele deveria liberar Maria para ela ir para escola, mas durante a tarde, o chefe de Damião pediu que ele terminasse mais umas peças que precisava ir embora naquela semana, sem opções, ele ligou para Tonho que concordou em olhar a criança.
Tonho passou no mercado e comprou dois bag de cerveja e seguiu para casa do irmão, tomou duas latas.
Assim que ele chegou, Maria soltou os cachorros nele, (gritou), pegou os cadernos e saiu correndo.
Ele seguiu até o quarto do baby que estava dormindo, voltou para sala e sentou em frente a TV.
- Por isso que eu não caso, TV de merda. – disse ele olhando para um TV de 20 polegadas.
Levantou e foi até geladeira e pegou o resto de frango, que caiu no chão, pegou colocou na pia, pegou um guardanapo e limpou o chão, pegou um prato e colocou o frango em cima, seguiu para a sala ligou a TV e começou a assistir novela.
- Merda de novela.
Damião chegou era quase dez horas da noite, olhou o irmão morto (bêbado), no sofá, chamou por Vanessa e seguiu para o quarto do casou, onde pegou o sorridente e acordado baby, puxou ele para o colo e sentiu o fedo vindo da criança.
- Fez caquinha, fez? – devolveu ele no berço.
Foi até o banheiro e preparou o banho da criança, pegou algumas toalhas e voltou para pegar o baby.
Testou a água e colocou o baby sobre uma toalha, tirou a fralda dele, e limpou a caca presente com toalhas de papel úmido e depois com um pano, colocou o baby na banheira, e começou a lavar ele com cuidado.
Vanessa entrou no banheiro e com algumas pedras na mão perguntou:
- Era o lixo do seu irmão que tava olhando ele?
- Mo, não começa, eu tive que ficar na firma mais duas horas. E depois eu resolvo com ele, consegue um numero de alguma menina que possa olhar ele de vez enquanto.
- O meu filho tava todo cagado e o imprestável do seu irmão não viu?
Ele lavando o baby olhou para ela e disse:
- Vanessa.
- Eu quero ele fora de casa agora.
- Como, ele tomou duas bag de cerveja, duas, como você quer que eu acorde ele? – disse ele em tom serio.
- Se acontece-se alguma coisa com ele – apontou para o baby e disse – você ia ver só.
- Por que você não para de trabalhar então?
Ela passou o sabonete liquido para ele e disse:
- Sabia que você ia dizer isto.
- Vanessa, eu te amo, amo muito você e o baby, amo demais, e quero que você trabalhe se você quiser, concordamos que sua irmã viesse morar aqui, para ela estudar etc., mas se cada vez que você chegar brigando comigo por causa disso daquilo, não dá né.
- Eu ainda não estou brigando, estou pedindo, eu não quero que seu irmão olhe mais meu filho.
Damião respirou bem fundo e disse:
- Então tá, termine de dar banho no seu filho.
Levantou-se e saiu.
Ela deixou a bolsa do lado e ajoelhou-se e terminou de dar banho no filho.
Damião foi até o quarto, olhou para fralda em cima da cama e o talco, pegou os dois e triste, secou as lagrimas dos olhos e seguiu para o banheiro.
Vanessa estava chorando.
- Seu pai é um monstro.
- Toma Fiona. – disse ele entregando a tolha para ela, enquanto ela tirava o baby da banheira.
Não seria aquela noite que eles iam se desculpar, não importava que em estava certo ou errado, era quem não ia ceder.
Quando todos foram dormir, Damião deitou ao lado do berço, enquanto sua mulher estava sozinha na cama.
Tonho, bêbado, roncava alto deitado no tapete da sala.
Era de madrugada, Vanessa levantou e viu Damião deitado ao lado do berço, deitado no chão, segurando o berço, enquanto o baby estava acordado.
Ela pegou um uma manta e cobriu o marido, pegou o baby e levou ele até a cadeira, ninou ele e ele voltou ao dormir, deitou na cama e dormiu.
Vanessa acordou as seis horas como de costume, levantou e primeira coisa foi ver seu baby, olhou para o marido no chão, foi para o banheiro tomou banho, acordou Maria, tomou café, pegou o baby no colo e deu para a sonolenta Maria cuidar. Então saiu para pegar ônibus como sempre fazia.
As sete, Damião levantou e olhou para o berço, foi até a cozinha e viu Maria, dando mamadeira para o baby.
* 07:00 hrs.
- Bom dia. – disse ele beijando o baby.
- Bom dia. – disse ela dando mamadeira para o baby.
- Cadê a Vanessa?
- Foi trabalhar. – disse ela olhando para o baby.
Ele sentou na cadeira em frente a mesa e tomou o café.
- Se você quiser pode sair a tarde. – disse ele olhando para o baby.
- E deixar o Tonho cuidar dele?
Damião ficou quieto.
- Falar nisso. Cadê ele?
Ela olhou para a sala e Damião foi até a sala, onde encontrou o morto (bêbado) do irmão deitado no chão, de camisa aberta e nitidamente embriagado.
- Tonho acorda.
Nada.
- Tonho acorda.
* 07:05 Hrs.
Damião ficou irritado e voltou para a cozinha, pegou um copo de água e voltou para a sala, onde jogou a água na cara do irmão que acordou assustado e com enxaqueca.
- Oh! – disse ele abrindo os braços.
- Oh o cacete. – gritou Damião.
- Fala baixo. – disse ele colocando as mãos no ouvido.
- Fala baixo, fala baixo? – disse Damião dando uns tapas na cabeça do irmão. A Vanessa ta fula da vida comigo pro sua causa.
Tonho com algum esforço sentou no sofá.
- Ah. – disse ele deitando no sofá para dormir de novo.
*07:10 hrs.
Damião foi para a cozinha, onde viu o baby sozinho com um chaveiro na mão.
- Maria. – disse ele pegando a chave na mão do baby.
A campainha tocou e Damião chamou por Maria de novo, que estava no banheiro.
- Que foi? – disse ela com uma escova de dente na mão.
A campainha tocou novamente e ele pegou o baby no colo e seguiu para a porta.
Ao abrir a porta, era a vizinha.
- Bom dia vizinha. – disse ele.
Uma senhora velinha disse:
- Ontem seu irmão derrubou a minha lata de lixo quando chegou bêbado aqui.
Damião respirou fundo.
- Depois eu arrumo, vizinha, depois, com licença. – disse ele entrando.
*07:15
Damião colocou o baby na cadeira do bebe e olhou para Maria e disse:
- Vou tomar banho, olhe ele.
Maria abriu um sorriso amarelo para o cunhado enquanto arrumava a cozinha. O calor era infernal.
Damião entrou no banheiro, enquanto seu irmão dormia e Maria cuidava da louça.
Ao lado do baby estava alguns pequenos objetos, como brinco, argola de chaveiro, tampa de caneta, etc.
O baby esticava o braço tentando pegar algo em cima da mesa.
*07:20
Na avenida que cercava o bairro e que ligava todos bairros da região até o centro era entupindo de carro normalmente, mas com aquele calor, estava pior e em um trajeto que num dia normal, levaria uma hora, até o centro, naquela quarta levaria uma hora e meia, e o atraso dos ônibus e dos carros de emergência, já era visível.
*07:30
Damião saiu do banho vestindo apenas um short, secou o cabelo e seguiu até o quarto, onde colocaria uma camisa, levaria o baby para sua mãe, mas antes tinha que acordar o estúpido do irmão que estava bêbado no sofá.
Passou pela cozinha, viu o baby e Maria ao celular.
- Maria?
Maria tampou a boca do celular e disse:
- É o João.
- Não quero você falando com ele. – disse Damião.
Ela fez careta e ele seguiu para a sala.
- Acorda, acorda. – disse Damião abrindo a cortinha.
Tonho tampou a vista com as mãos e balbuciou algo ilegível, Damião derrubou ele do sofá.
- Acorda.
*07:35
Maria saiu da cozinha e chegou até a sala com o celular na mão, pegou uma caneta e rindo começou a anotar algo em um pedaço de papel.
Damião olhou para ela e ela nem olhou para ele.
- Maria, cadê o baby?
Maria olhou para ele e disse:
- Você mandou esse lixo olhar ele e ele ficou a noite toda bêbado e não olhou seu filho e eu porque to aqui um minuto, você já vem me irritar.
Damião olhou para Tonho e deu um tapa na cabeça do irmão.
- Maria, vai olhar ele, eu to saindo daqui a pouco.
Maria acabou de anotar no papel e seguiu para cozinha.
*07:40
Na avenida um carro bateu na traseira de um ônibus, nada grave, mas o suficiente para parar mais o transito ainda.
*07:45
Damião tentava ter uma conversa com o irmão quando ouviu um grito da cozinha.
Ao chegar na cozinha ele viu o baby caído de lado na cadeirinha e com a boca roxa e os olhos fechados.
- O que aconteceu?
Maria não disse nada.
- Baby olho pro papai. – disse ele agitado.
Nada.
- Baby.
Nada.
- O que aconteceu? Maria o que aconteceu?
Maria começou a chorar.
Damião respirou fundo e olhou para o filho.
- Me da o espelho. – disse ele tirando o filho da cadeira e colocando em cima da mesa.
Ele olhou para Maria e deu um sacode nela.
- Um espelho.
Maria correu e pegou um espelho pequeno na bolsa.
Ele colocou o espelho abaixo do nariz do menino e então soube que seu filho, sonho de sua vida estava sem respirar.
- O que aconteceu?
- Não sei. – disse Maria aos prantos.
- Liga pra o Samu. – disse ele abrindo a boca do filho.
Maria ficou parada.
- Anda. – berrou ele.
Maria gritando e chorando pegou o celular olhou para o cunhado, olhou para o celular e com medo e chorando perguntou:
- Qual o numero?
Ele olhou para ela, tomou o celular da mão dela e disse:
- Dos caras que te fode se sabe o numero, mas de quem vai te salvar não, não é?
Ela sentou na mesa e caiu em prantos.
*07:55
“Samu”
- Oi meu filho esta a cinco minutos sem respirar....
“Calma senhor, qual é seu nome?”
- Damião. Me ajuda. – disse ele chorando.
Maria sentou no chão em lagrimas.
“Damião, quantos anos seu filho tem?”
- Um ano... – limpou a voz – Um ano e meio.
“Ele engoliu algo?”
Damião lembrou-se da massagem em crianças pequenas e gritou:
- Vem aqui Maria. Anda.
Maria levantou pegou o celular e chorando disse:
- Ele tá tentando fazer massagem nele.
“Ele engoliu algo?”
Maria procurou sobre a mesa e deu falta do seu brinco.
- Acho que foi meu...meu brinco.
Damião olhou para ela e lembrou das vezes que disse a ela para não deixar nada perto do filho.
“Qual seu endereço?”
Maria olhou para Damião e ele pegou o celular.
- Oi, cadê a ambulância?
“Seu Damião, qual o endereço?”
Ele disse e então veio a resposta.
“Seu Damião todas as nossas viaturas estão ocupadas por enquanto, mas estamos mandando uma viatura da PM.”
Damião perdeu os sentidos por alguns segundos e viu o filho morto em cima da mesa, viu o sonho acabar ali, parecia que nada mais era real.
Foi quando Maria gritou que ele acordou.
Ele soltou o celular no chão, pegou a chave do Uno, pegou o filho e correu para o carro.
Quando saiu na rua, viu o Omega bloqueando o Uno, colocou o filho sobre o capo do Uno e correu dentro de casa, correu até o irmão e o virou tentando achar a chave, no maior desespero, foi então que ele viu a chave no mesa da TV, pegou e saiu correndo para o carro, abriu a porta do passageiro, voltou pegou o filho, colocou no chão em frente ao banco do passageiro, fechou a porta, entrou no lado do motorista e saiu em desespero, até a avenida, mas quando chegou na rua que dava acesso a avenida, uma fila de carro impedia a sua passagem.
- Vou pelo bairro. – disse ele.
Ele atravessou a rua espremendo o carro e seguiu em frente.
O ronco do motor do Omega, não falava mais alto que o coração de um pai perdendo o seu filho.
O ronco do motor do Omega 2.4 não era mais preciso que as lagrimas que escorriam pelo rosto de Damião.
O ronco do motor era a busca de uma liberdade muito tempo perdida.
As trocas de marcha era quase que imperceptível, pois quanto mais ele corria, mais ele se desligava do mundo a sua volta, existia só uma razão para aquilo tudo, e era o baby.
Ele pisou na embreagem, jogou de quinta para segunda, soltou a embreagem e segurou o carro um pouco no freio, torceu volante e entrou à direita na Rua Aquino de Freitas, soltou o freio e pisou novamente na embreagem e começou a acelerar e trocar as marchas, havia muitos carros estacionados na rua, e o velocímetro dele atingiu a marca de 100 km/h, ele olhou para o filho, e sorriu, sorriu para o menino mais lindo do mundo, sorriu para o seu amor, o seu presente divino, o seu anjo, mas quando olhou para frente sentiu a pancada, a criança que deveria estar na escola, que atravessava a rua foi atingida pelo carro a 100 km/h, foi levantada pelo menos cinco metros antes de cair em cima de um carro estacionado e depois cair no chão.
Então Damião apagou, não existia mais controle sobre nada, estava desligado, estava inerte, quando atravessava outra esquina, bateu de raspão, o carro rodou e por pouco não bateu em um poste.
A anos que Nezinho dizia que se alguém atropela-se uma criança ali, iria morrer.
Incitados pela crueldade da batida, os homens correram para o carro, arrancaram Damião do carro.
A ultima coisa que ele viu foi o filho morto no carro.
Quando a policia chegou e todos saíram de perto dele, a policial militar foi ate o carro para pegar documentos, e então viu o menino sem respirar a frente do banco do passageiro.
Ela tirou o menino do carro e quando todos viram a criança sobre o capo e a policial fazendo massagem cardíaca nele.
Os Justiceiros da Rua Aquino de Freitas puseram a mão na cabeça, alguns disseram que não sabiam do menino, alguns disseram que não era motivo par ele correr no bairro.
E a mesma ambulância que ia socorrer o baby na casa, demorou meia hora para chegar e atestar que Damião estava morto e o menino também.
Nota do Jornal da Cidade.
Três mulheres enterraram hoje seus filhos, três mulheres hoje tiveram seus filhos ceifados não por vândalos, animais ou loucos, mas sim por falta de o bom senso de cuidar um dos outros.
Se Tonho não tivesse bebido, Damião não tinha brigado com a mulher, e não perderia o tempo tentando acordar o irmão e o menino não teria engolido o brinco.
Se Maria tirasse todos os objetos de perto do menino.
Se houvesse mais transporte publico de qualidade, teria menos carros e as ambulâncias chegassem mais rápido onde fosse necessárias.
Se Damião mantivesse a calma - ? - ele não teria matado um menino.
Se o menino tivesse olhado para os dois lados da rua...
Se os Justiceiros não matassem...
Se. As vezes penso, que pena que as vezes o mundo não poderia viver no SE.
Fim.